EQUIPE DE MATERIAL RODANTE DA CBTU-METROREC MELHORA A CONFIABILIDADE DOS TUE

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Um assunto que ultimamente tem despertado a atenção e a curiosidade das pessoas, no âmbito da CBTU, foi a perceptível melhora do nível de confiabilidade dos Trens Unidade Elétrica – TUE da CBTU-METROREC.

Um fato de importância estratégica à empresa, percebido pelo menor registro de ocorrências de falhas nos trens e menos intervenções por parte da manutenção. O resultado final foi uma maior disponibilidade da frota aos usuários da CBTU-METROREC. A necessidade de aumentar a oferta de trens, a partir da expansão da Linha Sul, é um fato que merece ser recordado.

No último mês de junho de 2011, a melhoria na confiabilidade propiciou à equipe do material rodante uma regularidade de 97% na oferta de trens, com o registro de uma tendência crescente nos últimos 12 meses.

A operação de um sistema de metrô tem o objetivo principal de atender as necessidades de deslocamento dos usuários com conforto, segurança e confiabilidade. A sua importância está ligada à relevância do metrô como sistema estrutural, integrado a outros subsistemas de transporte urbano.

O sucesso de um sistema de metrô está diretamente relacionado com a eficiência da manutenção de seus equipamentos, principalmente a manutenção do Material Rodante, nome dado aos trens em geral.

Diante dos resultados constatados, inevitavelmente cabe a seguinte pergunta: “Qual a fórmula encontrada para o alcance destes resultados?”.

Tudo começou em meados de janeiro de 2010, quando o carro nº 01 do TUE 010 sofreu um incêndio em plena operação comercial. Esta ocorrência transformou-se em um dilema para a direção da empresa: terceirizar o serviço para recuperação do TUE ou realizá-lo com a mão de obra da casa?

Com o apoio e a confiança do superintendente da época, José Marques de Lima, e do coordenador da manutenção, Ricardo Esberard Beltrão, foi lançado o desafio, cabendo a missão para recuperação do TUE às equipes do material rodante e oficinas. Os trabalhos foram iniciados em março de 2010.

De março a setembro de 2010 foram sete meses de trabalhos árduos, sendo concluído com sucesso ao final deste período.

Esta decisão propiciou a CBTU-METROREC uma economia estimada em torno de 350 mil reais. O legado deixado pela realização desta empreitada “foi o do verdadeiro trabalho de equipe, transformando o que poderia ser mais uma questão meramente burocrática e de desperdício, em um projeto, onde as mãos e o pensamento podem encontrar a solução para qualquer problema. Um fator que antes era negativo transformou-se em positivo. Devemos tirar proveito das dificuldades, aproveitá-las como uma oportunidade de adquirir maior conhecimento. Eles tiveram o comprometimento necessário para alcançar o objetivo desejado. Toda equipe do material rodante e oficinas saiu-se vitoriosa, artificies, técnicos e engenheiros. Todos estão de parabéns! Sem eles o êxito não seria possível de ser alcançado”, afirmou Adalberto Siqueira, Gerente Operacional de Material Rodante e Oficinas – GOMAR.

A GOMAR passou a estudar cientificamente, com a aplicação de ferramentas da estatística, a confiabilidade na manutenção do Material Rodante do Metrô do Recife, objetivando atender as necessidades de aumentar a disponibilidade de trens, requerida pelo acréscimo da demanda, assim como garantir a segurança, o conforto, e a confiabilidade dos sistemas. Desta forma, buscou-se a elevação do nível de qualidade do serviço prestado e sua correspondente percepção pela sociedade.

Neste sentido, a GOMAR passou a analisar os resultados obtidos a partir da aplicação de metodologias de análise de confiabilidade de equipamentos e sistemas, na manutenção dos TUE do METROREC, para que fossem identificados os pontos onde a confiabilidade não estivesse otimizada e que pudessem atuar nestes pontos de maneira proativa, preventiva e/ou preditiva, no sentido de aumentar a confiabilidade dos trens.

A partir da análise descritiva de dados correspondentes ao período compreendido entre os meses de outubro de 2008 a março de 2011, foi possível identificar os subsistemas mais críticos. Inicialmente, realizou-se a análise descritiva do conjunto composto por 467 falhas de TUE, relativas a uma amostra composta por 21 trens, cujas garantias dos serviços de modernização/climatização já haviam vencido a pelo menos seis meses. Verificou-se que os subsistemas dos trens de Tração/Frenagem, Portas, Atc de Bordo e Freio são os mais críticos, e juntos acumulavam 77% de todas as falhas ocorridas. Durante a análise, as falhas foram classificadas como decorrentes dos seguintes tipos de problemas: método, matéria-prima, mão de obra, máquinas, medição e meio ambiente.

Exemplificando, no caso do subsistema Portas, das 56 falhas de um total de 82, verificou-se que a maioria (39) foi causada por desgaste nos componentes, e que 17 falhas foram decorrentes de falhas no processo de fabricação das gaxetas dos cilindros de portas. Após a análise da relação causa efeito, realizaram-se testes, dentre os modelos estatísticos usuais no estudo da confiabilidade de sistemas, aqueles capazes de reproduzir a variação da probabilidade de ocorrer uma falha, em função da quilometragem percorrida após a realização da manutenção preventiva, para cada um dos subsistemas críticos. Após a identificação do modelo probabilístico adequado para cada subsistema, foi possível realizar simulações no sentido de estudar a variação da confiabilidade em função do intervalo entre manutenções preventivas realizadas.

Para o subsistema Portas, por exemplo, os resultados demonstraram que, nas condições daquele período, após percorrer 10.000 km, a confiabilidade deste subsistema era de apenas 12,28%. Além disso, verificou-se que, mesmo sem promover melhorias no processo, se fosse reduzido o intervalo da preventiva para 5.000 km, teríamos uma confiabilidade estimada pelo modelo de 67,92%.

Dentre as propostas indicadas pelo estudo para melhorar a confiabilidade dos TUE, já foram implementadas a seguintes ações: criação da manutenção preditiva de TUE, realizada pela coordenadoria operacional de manutenção corretiva de trens – COMAC (a partir de outubro de 2010); melhorias de processos na manutenção de motores de tração pela coordenadoria operacional de oficinas – COOFI (outubro de 2010); Inclusão do Treeshold do ATC na rotina da preditiva (abril de 2011); Criação da manutenção preventiva de 5.000 km nas oficinas de pequenos reparos – OPR pela coordenadoria operacional de preventiva de trens – COMAP (março de 2011).

A manutenção preditiva foi uma inovação adotada pelo material rodante, sendo aquela que busca identificar de forma antecipada a ocorrência de uma determinada falha, a partir de medições e parâmetros preestabelecidos, possibilitando à manutenção intervir antecipadamente para que ela não aconteça.

Como resultados iniciais decorrentes destas ações, podemos destacar: A redução sistemática das falhas abertas como Flash de Motor de Tração – MT a partir de fevereiro de 2011, a redução significativa e sistemática das falhas específicas de MT a partir de março de 2011.

Apesar do aumento da oferta de TUE, a regularidade da GOMAR apresenta uma tendência crescente nos últimos 12 meses, tendo alcançado uma regularidade de 97% em junho de 2011.

A busca contínua pela melhoria dos processos é um desafio permanente e esperamos no futuro bem próximo melhorarmos ainda mais a confiabilidade do nosso TUE. A nossa meta será alcançarmos os 100% de regularidade na oferta da frota”, finalizou Adalberto Siqueira.

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